Livro e leitura nas Estações Cidadania

Todas as Estações Cidadania – Cultura estão equipadas com bibliotecas públicas que oferecem às comunidades acesso ao livro e à leitura, com empréstimos, saraus, oficinas literárias, debates e rodas de leitura, despertando o interesse pela leitura e produção de textos.

A leitura é um direito social básico, indispensável para que o ser humano possa desenvolver plenamente suas capacidades e alcançar níveis educativos mais altos. Apresenta-se também como condição necessária para o desenvolvimento social e econômico. Por tudo isso, o acesso ao livro e à leitura deve ser assegurado para o pleno exercício da cidadania.

Entretanto, o Brasil ainda apresenta enorme déficit no que diz respeito às práticas de leitura. Além da alta taxa de analfabetismo, em torno de 8,5% da população em 2012 (equivalente a 13,2 milhões de pessoas), os índices de consumo de livros também são muito baixos na comparação com outros países, inclusive da América Latina e da Ásia.

Promover o acesso à leitura plena em todos os níveis é uma das formas mais consistentes de apoiar a melhoria da qualidade da educação em nosso País, mas são grandes as dificuldades de acesso a livros em geral, não apenas devido ao preço alto, mas também porque existem poucas bibliotecas no País.

Todas as Estações Cidadania – Cultura estão equipadas com bibliotecas públicas que oferecem às comunidades esse importante acesso ao livro e à leitura, por meio de empréstimos e da promoção de atividades, como saraus, oficinas literárias, debates com a comunidade, rodas de leitura e outras formas de despertar o interesse pela leitura e produção de textos. Além disso, essas bibliotecas podem assumir também uma dimensão de polo difusor de informação e cultura, núcleo de lazer e entretenimento, e centro de educação continuada, estimulando a criação e a fruição dos mais diversificados bens artístico-culturais.

Para que isso aconteça, é muito importante que o trabalho desenvolvido nas bibliotecas das Estações seja orientado por um(a) bibliotecário(a) formado(a), o que já ocorre em 75% das Praças inaugurados até o final de 2017, segundo a última pesquisa online realizada com as Praças. Além disso, de acordo com a mesma pesquisa, o acervo dessas bibliotecas é considerado ótimo ou bom por 97% das Praças.

A biblioteca das Praças pode ser inscrita no Sistema Nacional de Biblioteca Públicas – SNBP – e nos Sistemas Estaduais de Bibliotecas. O primeiro passo para isto é que a Prefeitura reconheça formalmente a Biblioteca da Estação Cidadania como um equipamento público municipal. Os cadastros nos Sistemas são muito importantes para que a biblioteca da Praça possa participar de editais e convocatórias de ajudas de instituições públicas ou privadas que incentivam projetos na área do livro, da leitura e das bibliotecas.

É possível fazer o Cadastramento auto declaratório no Portal Mapas Culturais. Neste caso, é preciso acessar http://bibliotecas.cultura.gov.br/, clicar em “Entrar” e preencher os dados em “minhas bibliotecas”.

Projetos de Leitura nas Estações Cidadania

Na Estação Cidadania de Ponta Grossa, no Paraná, a biblioteca acolhe toda sexta-feira crianças de 6 a 14 anos que participam do projeto “Suco com Poesia” de incentivo à leitura e à socialização. Além de um lanche, elas recebem uma “maleta mágica” com caderno, lápis e um livro, e ouvem histórias contadas por servidores da Secretaria de Cultura e por outras crianças sobre o livro que leram naquela semana. Depois, o livro da maleta pode ser trocado por outro. O projeto atende cerca de 35 crianças por semana, e é desenvolvido pela Prefeitura em parceria com empresas do município, por meio do programa Selo Social. Além das maletas, a contribuição das empresas permitiu a revitalização do espaço da biblioteca da Estação e a aquisição de novos livros. De acordo com a Coordenadora Sandra Arcodi, já é possível perceber os impactos da iniciativa: “as crianças melhoraram seu desempenho de leitura e aproveitamento nas escolas, e aumentaram também sua socialização e integração na comunidade”.

O incentivo à leitura pelas crianças e jovens também é o objetivo principal de projetos desenvolvidos nas Praças de Feira de Santana, na Bahia. Na Estação Cidadania Cidade Nova, o Projeto “Leiturinha no CEU” tem como objetivo fomentar o gosto pela leitura, utilizando o acervo infantil da biblioteca. A oportunidade de viajar pelo mundo da imaginação por meio dos livros é dada às crianças uma vez por semana, com adesão crescente. Já na Estação Cidadania Aviário o projeto “Leitura” é realizado em parceria com a Escola Municipal Josenita Nery Boaventura e consiste na oferta de aulas de reforço escolar na biblioteca para crianças que apresentavam déficit de aprendizagem, especialmente em relação à leitura e escrita. O Coordenador da Praça Aviário, Amarildo Costa dos Santos, considera os resultados desse projeto como excelentes, pois “em pouco tempo os alunos apresentaram grandes avanços na leitura e escrita, o que ajudou na melhoria da autoestima e no desenvolvimento escolar”. Segundo ele, a procura pelas aulas na biblioteca tem sido grande para 2018, tanto dos alunos daquela escola como de outras escolas e da própria comunidade do entorno da Praça.

Praça CEU de Juiz de Fora/MG
Praça de Juiz de Fora/MG

O estímulo à leitura na Praça de Juiz de Fora extrapola o espaço da biblioteca – que por lá é chamada de Sala de Leitura, num esforço para tornar o local mais descontraído e atraente. No saguão foi instalado um estande com livros que podem ser trocados por outros, ou simplesmente levados para casa. Realizado regularmente desde 2015, o Sarau Sideral é um momento descontraído para promover a leitura e a literatura em torno de temas diversos, como a cultura negra, a mulher na literatura ou a produção dos artistas e escritores locais. Se, por um lado, a Sala de Leitura recebe exposição e decoração especial para marcar datas comemorativas, como o Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos (30 de janeiro), outros espaços também costumam ser conquistados pela literatura, que interage com o cinema no Cineteatro, por meio da exibição de filmes adaptados de livros, enquanto no Telecentro os computadores apresentam poemas ou outros textos literários em sua tela inicial. O Coordenador da Praça, André Noronha, relata que os esforços de promoção do livro e da leitura incluíram o envio de um questionário às escolas sobre os livros que os alunos da 5ª à 9ª série gostariam de ler, sendo que muitos dos livros indicados foram comprados e incorporados ao acervo da Sala de Leitura. Ele avalia que os resultados de todas essas ações começam a aparecer, pois a Praça já contabiliza uma média de 400 empréstimos de livros por mês, e o número de usuários da biblioteca vem crescendo.